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Marketing

Medir campanhas pelo que fecham, não pelo que clicam

Um relatório de cliques pode ser verdadeiro e não servir para decidir. O que a origem tem de sobreviver, porque é que o último contacto leva o crédito todo, e as quatro leituras que mudam decisões.

5 min de leitura

Ilustração isométrica de um painel de campanha cheio de pequenas marcas de contagem, ligado por uma linha longa que atravessa três etapas e termina numa única ficha de negócio fechado.

Um relatório de campanha consegue ser inteiramente verdadeiro e não servir para decidir nada. Diz quantas pessoas viram, quantas clicaram, quantas preencheram — e para exatamente no ponto em que a pergunta começa: alguma delas comprou? Enquanto essa pergunta não tiver resposta, o investimento em marketing discute-se por convicção, e quem tem a convicção mais forte é que decide.

Cliques medem a mensagem; não medem o negócio

As métricas de campanha não são inúteis, são mal empregadas. Aberturas e cliques dizem coisas legítimas sobre a peça: se o assunto chamou, se a promessa era clara, se a página a seguir cumpria o que estava prometido. Servem para melhorar a peça, e é isso que devem servir.

O que não conseguem responder é onde pôr o esforço do trimestre seguinte. E há um efeito pior do que a insuficiência: quando o clique passa a ser o objetivo, o trabalho otimiza-se para a curiosidade. Assuntos mais vagos, promessas mais largas, formulários mais fáceis — tudo isso aumenta o clique e piora sistematicamente quem chega do outro lado.

A pergunta que corrige a rota é sempre a mesma: desta ação, quantas oportunidades reais nasceram? Uma campanha com poucos contactos e várias oportunidades vale mais do que o contrário, e nenhum relatório de cliques consegue dizer isso.

Para ligar a campanha ao negócio, a origem tem de sobreviver à passagem

Esta é a parte técnica do problema, e é anterior a qualquer medição. Se a origem do contacto desaparece, ou é substituída, quando ele passa a oportunidade, nenhuma leitura de fecho é possível — não por falta de ferramentas de análise, mas porque a informação deixou de existir.

Três coisas fazem a diferença. A origem fica gravada à entrada, e não é preenchida de memória semanas depois. Viaja com o contacto quando ele muda de estado, em vez de ficar na etapa onde nasceu. E não é sobreposta pela última interação, que é o que acontece quando o mesmo campo serve para «de onde veio» e para «o que fez por último». É trabalho no percurso da lead, não no relatório.

O último contacto leva o crédito todo

Quando finalmente se consegue ligar a origem ao negócio fechado, aparece a distorção seguinte: o crédito vai inteiro para o que trouxe a pessoa da última vez. Normalmente é a pesquisa pelo nome da empresa, ou o pedido direto — ou seja, o passo que recolhe a procura, não o que a criou.

Decidido assim, o investimento desloca-se todo para a recolha, e ao fim de um ou dois trimestres já não há procura para recolher. É um erro que se comete a olhar para um relatório correto.

A saída não é um modelo de atribuição sofisticado. Para a escala de uma empresa média, esses modelos produzem mais ruído do que informação. A saída é mudar a pergunta: em vez de «quem ganhou este negócio», perguntar «o que é que este cliente tocou antes de comprar». Ler dez percursos completos, um a um, ensina mais sobre onde investir do que qualquer repartição de crédito — e não exige nada além de o histórico estar todo na mesma ficha.

Quatro leituras que mudam decisões

Com a origem gravada na oportunidade, há um pequeno conjunto de leituras que vale por um relatório inteiro:

  • Oportunidades por origem, não contactos por origem. É a métrica que muda comportamentos, porque não recompensa quantidade.
  • Quantas dessas oportunidades fecharam, por origem. Duas origens com o mesmo número de oportunidades podem ter destinos completamente diferentes.
  • Quanto tempo levaram a fechar. Uma origem mais lenta não é pior, mas altera a tesouraria e a previsão de quem a recebe.
  • Que motivos de perda dominam cada origem. Perder por preço numa origem e por momento errado noutra são diagnósticos distintos, e cada um pede uma correção diferente.

Nenhuma destas exige ferramenta nova: exige que a origem, o estado e o motivo de perda estejam no mesmo registo. É a mesma exigência que faz uma previsão ser fiável, descrita em previsão de vendas.

Medir cedo de mais é medir ruído

Há um desencontro de ritmos que estraga estas leituras. A campanha lê-se ao fim do mês; o negócio que ela gerou fecha-se muito depois. Ler o fecho no fim do mês é ler o que ainda não aconteceu, e concluir que a ação não funcionou quando ela apenas ainda não acabou.

A resposta é ter duas leituras separadas, e não as misturar. Uma leitura curta, frequente, sobre a peça e sobre a entrada de oportunidades — serve para corrigir mensagem. E uma leitura longa, com a duração do ciclo de decisão do negócio, sobre o que fechou — serve para decidir investimento. Quem usa a leitura curta para decidir investimento corta sempre no que demora mais a dar resultado.

Como montar isto sem um projeto de análise

Escolha uma origem com alguns meses e siga-a até ao fim, à mão. Pegue nos contactos que ela gerou e veja, um a um, onde estão hoje: sem seguimento, em conversa, com negócio aberto, ganhos, perdidos e com que motivo. Dá uma manhã de trabalho e produz a primeira leitura honesta que a empresa vai ter.

Essa manhã tem outro efeito: mostra exatamente que campos faltavam para a leitura ser automática na próxima vez. Costumam ser dois ou três, e é muito mais fácil pedi-los depois de se ter sentido a falta deles.

Depois disso, o painel que a direção lê passa a ser uma consequência, não um projeto — é para isso que os módulos de Marketing e de Gestão assentam nos mesmos dados de operação. Traga o resultado da manhã ao diagnóstico: a conversa começa muito mais adiantada com uma origem já seguida até ao fim.

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