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Vendas

Previsão de vendas: o que é preciso para ela ser fiável

Uma previsão fiável não é uma que acerta: é uma que se explica, se verifica depois e se corrige. O que tem de estar registado para isso ser possível.

5 min de leitura

Ilustração isométrica de um funil cujas fichas trazem pesos de tamanhos diferentes, ligado a um gráfico de barras cuja altura acompanha esses pesos.

Há uma pergunta que decide se uma previsão de vendas vale alguma coisa, e não é «quanto vamos fechar este trimestre». É esta: com base em quê? Quando a resposta é «na sensibilidade da equipa», o número existe, aparece na reunião e ninguém pode fazer nada com ele — nem confiar, nem corrigir, nem aprender algo para o trimestre seguinte.

Uma previsão fiável não é uma previsão que acerta. É uma previsão que se pode explicar, verificar depois e melhorar. As três coisas dependem menos de método estatístico do que de duas ou três decisões sobre o que se regista e sobre quem responde pelo quê.

Previsão e meta são números diferentes, e misturá-los estraga os dois

A meta é o que a empresa quer vender. A previsão é o que a empresa acredita que vai vender. Se a mesma reunião serve para as duas coisas, a previsão passa a ser negociada: ninguém quer apresentar um número abaixo do objetivo, e o que sai da sala é um compromisso disfarçado de estimativa.

O efeito prático vê-se. A previsão fica encostada à meta durante quase todo o período e corrige-se de repente no fim, quando já não há tempo para reagir. Quem tem de decidir contratações, compras ou capacidade de entrega recebe o aviso no momento em que ele já não serve para nada.

Separar as duas conversas custa pouco e muda muito: uma reunião fala de objetivos e do que se vai fazer para os atingir, outra fala do que está no funil e de quando se espera que feche. A segunda tem de poder dar más notícias sem que isso pareça falta de empenho.

A data é a variável que costuma ficar ao acaso

Discute-se muito o valor de um negócio e a probabilidade de ele fechar, e quase nada a data — que é a variável capaz de fazer a previsão falhar sem que o funil pareça errado. Um negócio que se ganha, mas um mês depois do previsto, é um acerto na substância e uma falha na previsão, com consequências reais para quem estava a contar com aquela entrada.

Há um hábito que resolve grande parte do problema: a data prevista de fecho tem de ter um motivo escrito ao lado. «O cliente disse que decide depois da reunião de direção da próxima semana» é um motivo. «Fim do mês» não é — é o sítio onde as datas vão quando ninguém perguntou nada ao cliente.

E as datas que escorregam duas ou três vezes seguidas dizem outra coisa, que vale a pena ouvir: aquele negócio provavelmente não está a avançar. Guardar o histórico das datas anteriores torna isso visível sem que ninguém tenha de o detetar à mão.

Porque é que a previsão da equipa e a da gerência nunca batem

Não é desonestidade, é perspetiva. Quem trata do cliente sabe coisas que não estão no sistema — o tom da última conversa, a hesitação, o concorrente que apareceu — e tende a pesar isso. Quem olha para o conjunto conhece o comportamento do funil noutras ocasiões, e tende a descontar.

As duas leituras são úteis, e a solução não é escolher uma. É tornar explícito de onde vem cada ajuste. Uma previsão apresentada como um número só esconde a discussão; uma previsão apresentada como o funil mais os ajustes, com o motivo de cada ajuste, permite verificar depois quem se enganou e em quê — que é a única forma de a equipa melhorar a estimar.

Repare que isto obriga a guardar as previsões antigas, e é o passo que costuma faltar. Sem o registo do que se previu em cada momento, não há nada para comparar no fim, e a conversa sobre fiabilidade repete-se todos os trimestres sem avançar um metro.

O que tem de estar registado para a previsão valer algo

A lista é curta, e é por isso que é exigente:

  • Etapas com significado verificável. Se a passagem de etapa depende de um sentimento, a previsão herda o sentimento. O desenho do funil determina a qualidade da previsão, e não o contrário — está tratado em como desenhar um funil que a equipa usa.
  • Valor com âmbito definido. Se uns negócios estão registados com o valor do primeiro ano e outros com o do contrato completo, a soma não significa nada.
  • Data com motivo. E o histórico das datas que foram mudando pelo caminho.
  • Negócios parados identificados como parados. Um funil que conta o que já não anda produz uma previsão otimista por construção.

Nenhum destes pontos é técnico. São decisões de operação, e é por isso que uma previsão não se corrige com um relatório novo.

Como começar a ter uma previsão em que se possa confiar

Faça o exercício ao contrário. Pegue nos negócios que fecharam no último trimestre e verifique o que o funil dizia sobre eles três meses antes: quantos estavam registados, em que etapa, com que data. E depois o inverso — quantos dos que apareciam como quase fechados não fecharam, e o que lhes aconteceu.

O padrão que sair dessa comparação vale mais do que qualquer modelo. Diz-lhe se o problema é de etapas, de datas, de negócios que nunca chegam a ser registados, ou de vendas que aparecem do nada e não passam pelo funil — e cada um destes problemas tem uma correção diferente, o que é precisamente a informação que falta a quem tenta melhorar tudo ao mesmo tempo.

Com esse retrato na mão, o pipeline que o módulo de Vendas acompanha por período e por responsável passa a ter sobre o que trabalhar, e os indicadores de gestão deixam de ser uma folha montada à mão no fecho do mês. Traga a comparação do último trimestre à sessão de diagnóstico: marque quarenta e cinco minutos e percorremos os negócios que falharam a previsão, um a um, para perceber o que faltava estar registado.

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